Cinza, com o sol por detrás


Aquele poeta tem alma cinza.
Nem preta, nem  branca. Cinza. 
Porque só a cinza pode ser preta e branca, ao mesmo tempo.
Quando o poeta fala tudo é bonito, tudo é terno, tudo é de verdade.

Aquela garota tem alma cinza. 
Cinza, mas daquela cinza com o sol por detrás.
A cinza que quer ser rosa sem deixar de ser cinza
Porque entende que, com o sol por detrás,
Até a tristeza é bonita.
Aquela garota tem alma cinza,
E quando seus olhos chovem aparece arco-íris.
Seus olhos de arco-íris vêem coloridas as coisas que ninguém consegue ver:
Os barquinhos sobre a água,
A letra que, em precedendo as demais, não quer ser notada,
As folhas deslizando sobre o teto de vidro,
A rede de embalar leitura
...
Aquela garota de alma cinza-rósea tem olhos de arco-íris.
Não dá pra passar por ela sem encantar-se com sua alma, encantada.

Cinza, com o sol por detrás!

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