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Gosto de Puro Hoje

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"Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
Não esquecer, ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer
...
E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho
Como sou feliz, eu quero ver feliz

Quem andar comigo, vem"
(Guilherme Arantes)



Enquanto revejo a foto e escuto a música (que mora em minha playlist sagrada) lembro-me do que a *'Pessoa' que registrou esse momento contou a respeito dos pássaros:
"Eles pareciam brincar de fugir um do outro..."

Tantos espetáculos acontecem gratuitamente e graciosamente diante de nossos olhos todos os dias e, pra onde nós estamos olhando que quase nunca vemos? O sol todos os dias descansa no horizonte; algumas pessoas param e assistem. Dão um tempo em suas vidas tumultuadas, tiram de diante de seus olhos as telas lotadas de planilhas, pastas, códigos, pães de cada dia. Descansam seus olhos das vitrines etiquetadas obrigatórias, deitando-os nas redes do 'milagre da beleza'. Bem disse o poeta que *…

O Que O Pássaro Me Ensinou

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De uns meses pra cá tenho olhado mais para o céu. Desses meses pra lá meu olhar era mais plano, cerviz endurecida pelo hábito. Olho mais pela janela procurando a poesia de cada dia, escrita no céu sempre inédito; olho mais para as árvores sendo sopradas, por brisa ou ventania; olho mais para o céu dos pássaros e observo com mais vontade seu voo. Vê-los voando me faz lembrar, encantada, da fala do poeta quando diz que "Deus fez o céu para justificar os pássaros¹". Dia desses, a caminho de mais um consultório, pus-me a observar os pássaros. À minha direita, um bando sobrevoava o mar, acho que todos em busca de comida ou de companhia. Mas, à minha esquerda, um único pássaro (com pleonasmo e tudo) sobrevoava fábricas e casas e avenida. Fiquei pensando em seus voos. Fiquei pensando na liberdade deles. Lá em cima tudo é imensidão, e de lá, o nosso aqui também é muito mais amplo do que o que nós mesmos vemos em nosso 'estar'. Como voam despreocupados! Como é leve seu voar! …

Elo

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Sinto que, de alguns ontens pra cá, meu corpo vive a vida posta diante de si, mas minha alma vive à caminho de algum lugar que não se põe, não se expõe, do qual, ainda assim, não consegue duvidar ou deixar de desejar. Daqui não sou corpo e nem sou alma, mas toda a angústia de ser seu elo. Parafraseando Drummond, meu caminho passa, ao mesmo tempo, em vários mundos. Todos meus. Sou o cansaço da vida posta, mas também sou a esperança de que o jeito de caminhar no chão de barro vermelho da existência enfeita com flores raras o lugar pra onde a vida corre, o lugar-não-posto. Em contrapartida, caminhar com esperança faz nascer flores raras, inclusive, no barro vermelho do hoje. Retroalimentação! Há momentos incríveis em que, sendo elo, os mundos se cruzam diante de mim. Perfeita comunhão. Há músicas, há livros, há abraços, há palavras, há gestos... que parecem ser daqui, mas também de lá. Momentos que dão sentido à angústia de ser elo. E, talvez (não mais que talvez) viver seja isso mesmo:…

O Que Nossos Diários Nos Dirão Um Dia?

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O que nossos diários nos dirão no futuro? E o que são, afinal, essas nossas viagens diárias, esses nossos vôos apressados sem destinos sabidos? Não seriam simplesmente uma tentativa, não admitida (quase sempre não consciente), de uma sonhada volta a um nosso estado primeiro? Crescemos! Sabemos e acumulamos saberes (e sabores); parecemos, ou desejamos parecer mais que muitos - com nossos diplomas, nossas línguas e cédulas estrangeiras, nossos conselhos admiráveis no bolso (conselhos de 'alguém que entende da vida'); nossos cargos e nossos cúmplices 'importantes' - ambos troféus que ostentamos sempre que possível; nossas medalhas amarELO-brilhantes; nossas cruzes, rezas, placas, templos e púlpitos 'sagrados'... Mas, no fundo, pra onde estamos tentando ir? Nossas (ditas) idas desbravadoras, nossas trilhas 'inéditas' já exploradas pelos que vieram antes de nós não seriam, na realidade, uma desejada volta ao início de nós mesmos? O que buscamos quando estam…

Entre Compassos e Descompassos

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Têm dias em que a tecla "slow motion" parece ter sido ativada em minha tela-janela / janela-tela...
O vento sopra preguiçoso as folhas verdes desbotadas das árvores. O pé de cidreira, que assiste minhas viagens matinais pelos mundos de meus autores favoritos, nunca o vi tão calmo. Parece que bebeu de si mais do que sempre. Os pássaros se arrastam pelo céu, como bichos-preguiça de asas. Observando-os lembro de mim quando criança nadando contra as correntes nas cachoeiras, ou de mim - adulta - repetindo a brincadeira na vida. Deixar-se levar é mais fácil, mais rápido, mas não aproveita muito a benção de ter asas - que pássaros e crianças têm.  Penso se esse fôlego curto se deve a essa preguiça do vento, que não chega a soprar aqui como preciso ou se deve-se ao sol fervilhante (meus sentidos notam que fervilha), que não vejo daqui, a não ser iluminando esse azul bonito do céu dos pássaros (e das crianças) que contrasta com a cidreira desbotada. Vejo tudo mais veloz quando, em mim,…

Entre Asas e Raízes

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A vida real exige corpo e pés fincados no chão...
Há que se ter peso e consistência para sobreviver.
A alma de sonhos anseia pelo céu dos pássaros...
Há que se ter leveza pra voar, para viver.
Bem aventurados os que conseguem descansar
Atentos, nesse interregno,
A fim de atender, de imediato,
Exigência e anseio quando clamam.
Pra viver: Há tensão
(o descanso faz-se imprescindível)
Pra sonhar: Atenção
(a alma exige labor).

Cinza, com o sol por detrás

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Aquele poeta tem alma cinza.
Nem preta, nem  branca. Cinza.  Porque só a cinza pode ser preta e branca, ao mesmo tempo.
Quando o poeta fala tudo é bonito, tudo é terno, tudo é de verdade.

Aquela garota tem alma cinza.  Cinza, mas daquela cinza com o sol por detrás.
A cinza que quer ser rosa sem deixar de ser cinza
Porque entende que, com o sol por detrás, Até a tristeza é bonita.
Aquela garota tem alma cinza,
E quando seus olhos chovem aparece arco-íris.
Seus olhos de arco-íris vêem coloridas as coisas que ninguém consegue ver:
Os barquinhos sobre a água,
A letra que, em precedendo as demais, não quer ser notada,
As folhas deslizando sobre o teto de vidro,
A rede de embalar leitura
...
Aquela garota de alma cinza-rósea tem olhos de arco-íris.
Não dá pra passar por ela sem encantar-se com sua alma, encantada.

Cinza, com o sol por detrás!