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O Que Nossos Diários Nos Dirão Um Dia?

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O que nossos diários nos dirão no futuro? E o que são, afinal, essas nossas viagens diárias, esses nossos vôos apressados sem destinos sabidos? Não seriam simplesmente uma tentativa, não admitida (quase sempre não consciente), de uma sonhada volta a um nosso estado primeiro? Crescemos! Sabemos e acumulamos saberes (e sabores); parecemos, ou desejamos parecer mais que muitos - com nossos diplomas, nossas línguas e cédulas estrangeiras, nossos conselhos admiráveis no bolso (conselhos de 'alguém que entende da vida'); nossos cargos e nossos cúmplices 'importantes' - ambos troféus que ostentamos sempre que possível; nossas medalhas amarELO-brilhantes; nossas cruzes, rezas, placas, templos e púlpitos 'sagrados'... Mas, no fundo, pra onde estamos tentando ir? Nossas (ditas) idas desbravadoras, nossas trilhas 'inéditas' já exploradas pelos que vieram antes de nós não seriam, na realidade, uma desejada volta ao início de nós mesmos? O que buscamos quando estam…

Gosto de Puro Hoje

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"Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
Não esquecer, ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer
...
E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho
Como sou feliz, eu quero ver feliz

Quem andar comigo, vem"
(Guilherme Arantes)



Enquanto revejo a foto e escuto a música (que mora em minha playlist sagrada) lembro-me do que a *'Pessoa' que registrou esse momento contou a respeito dos pássaros:
"Eles pareciam brincar de fugir um do outro..."

Tantos espetáculos acontecem gratuitamente e graciosamente diante de nossos olhos todos os dias e, pra onde nós estamos olhando que quase nunca vemos? O sol todos os dias descansa no horizonte; algumas pessoas param e assistem. Dão um tempo em suas vidas tumultuadas, tiram de diante de seus olhos as telas lotadas de planilhas, pastas, códigos, pães de cada dia. Descansam seus olhos das vitrines etiquetadas obrigatórias, deitando-os nas redes do 'milagre da beleza'. Bem disse o poeta que *…

Entre Compassos e Descompassos

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Têm dias em que a tecla "slow motion" parece ter sido ativada em minha tela-janela / janela-tela...
O vento sopra preguiçoso as folhas verdes desbotadas das árvores. O pé de cidreira, que assiste minhas viagens matinais pelos mundos de meus autores favoritos, nunca o vi tão calmo. Parece que bebeu de si mais do que sempre. Os pássaros se arrastam pelo céu, como bichos-preguiça de asas. Observando-os lembro de mim quando criança nadando contra as correntes nas cachoeiras, ou de mim - adulta - repetindo a brincadeira na vida. Deixar-se levar é mais fácil, mais rápido, mas não aproveita muito a benção de ter asas - que pássaros e crianças têm.  Penso se esse fôlego curto se deve a essa preguiça do vento, que não chega a soprar aqui como preciso ou se deve-se ao sol fervilhante (meus sentidos notam que fervilha), que não vejo daqui, a não ser iluminando esse azul bonito do céu dos pássaros (e das crianças) que contrasta com a cidreira desbotada. Vejo tudo mais veloz quando, em mim,…

Entre Asas e Raízes

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A vida real exige corpo e pés fincados no chão...
Há que se ter peso e consistência para sobreviver.
A alma de sonhos anseia pelo céu dos pássaros...
Há que se ter leveza pra voar, para viver.
Bem aventurados os que conseguem descansar
Atentos, nesse interregno,
A fim de atender, de imediato,
Exigência e anseio quando clamam.
Pra viver: Há tensão
(o descanso faz-se imprescindível)
Pra sonhar: Atenção
(a alma exige labor).

Cinza, com o sol por detrás

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Aquele poeta tem alma cinza.
Nem preta, nem  branca. Cinza.  Porque só a cinza pode ser preta e branca, ao mesmo tempo.
Quando o poeta fala tudo é bonito, tudo é terno, tudo é de verdade.

Aquela garota tem alma cinza.  Cinza, mas daquela cinza com o sol por detrás.
A cinza que quer ser rosa sem deixar de ser cinza
Porque entende que, com o sol por detrás, Até a tristeza é bonita.
Aquela garota tem alma cinza,
E quando seus olhos chovem aparece arco-íris.
Seus olhos de arco-íris vêem coloridas as coisas que ninguém consegue ver:
Os barquinhos sobre a água,
A letra que, em precedendo as demais, não quer ser notada,
As folhas deslizando sobre o teto de vidro,
A rede de embalar leitura
...
Aquela garota de alma cinza-rósea tem olhos de arco-íris.
Não dá pra passar por ela sem encantar-se com sua alma, encantada.

Cinza, com o sol por detrás!

A Ponte e Eu

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De minha casinha de madeira,  Que fica tão pertinho das nuvens, Começa a ponte de meus sonhos acordados. Já é madrugada e as luzes amarelas da ponte  Brilham como pequenos sóis noturnos. A ponte sai de minha casa de madeira que quase toca o céu, Desce no meio da cidade, mas sobe de novo E finge que termina do outro lado da cidade. Mas eu sei que ela nunca termina... Ela toca o chão de muitos outros mundos.
Lá do alto vejo a cidade inteira... Todos os carros, fábricas, ruas e pessoas dormem. Acordados, só a ponte e eu, em vigília. Quando a manhã chegar e a cidade acordar Aí então dormiremos. Apagaremos as luzes e descansaremos tranquilos. Seremos, então, como a cidade que dorme sossegada Mesmo sem saber que, do alto, há quem vele seu sono.
Sonho acordada atravessar cidades inteiras, Tocar o chão sagrado de muitos outros mundos com meus pés de nuvens (há que se ter leveza nos pés pra pisar chãos sagrados). Sonho acordada ver a cidade acordar... Mas já vou dormir, e ela ainda não despertou. E continuamos ali, …