Do Parto ou Do Partir

E esta dor não física que sinto desde que me entendo por gente?
Esse incômodo agudo - essa 'dor fina', como diria vovó - donde vem e pra onde quer ir, que não sai do lugar?

Há dias em que não penso nela. Mas deixar de pensar não impede o sentir. São dias em que sou toda sentir. Mas, sempre por distração, não por ser capaz de decidir qualquer coisa.
De onde vem esse desejo secreto de querer que as pessoas compreendam o que não soubemos explicar, porque nem a gente mesmo entendeu? Como explicar o que não tem nome? Fico perdida, prefiro calar ou falar do que sinto menos, mas sei nomear.
De onde vem essa calma súbita sem precedente após? Não houve um fim de dor, nem um fim de nada, pra essa calma após. Ficou confuso isso? Achei que sim. O após está no meio - entre o fim e a calma. Ficou claro? Porque não gosto de imaginar uma dança em que a calma fique espremida entre a dor e o após. Gosto quando ela é a dama que conduz a dança, podendo inclusive abandoná-la no meio da música, disso não gosto. Independência irritante!
Quem sabe eu mesma não seja esse 'após', conduzido pela dor e pela calma; espremido entre a dor e a calma... Quem sabe?!
Mas a calma, essa sim faço questão de sempre pensar. Pensá-la pra fazê-la durar. Prolongá-la para entendê-la. Decifrá-la pra, quem sabe um dia, convencê-la a ficar.
Por que não abandona a dança você, dor fina? Não vê que a música é morfina? Ainda joga na cara da calma que ela é meretriz, por pertencer a muitos e sempre partir. Mas dançar contigo e comigo não deve ser fácil. Somos péssimos parceiros, sempre pisando-lhe os pés. Que dança desajeitada essa nossa! Não quero tua fidelidade, nem quero pensá-la tanto. Não me interessa entender-te. Já pode ir!
(...)
Não foi... a música acabou e ela não se foi...

Que dor não física é essa? Me pergunto.
É do parto ou do partir? 

Comentários

  1. Que for não física essa?! Também quero muito saber...que beleza há nesse texto sobre a dor, minha amiga..

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