Desejo Maior Que os Olhos




Tenho pouco tempo.
A beleza não cabe inteira em minha vida tão breve.
Há um furacão de emoções em mim.
Lamento que estes meus ouvidos não tenham tempo pra ouvir todas as músicas e vozes que quero ouvir;
Lamento que estes olhos não possam ler todos os livros e assistir todas as histórias que desejo;
Lamento que meus pés não possam ir a todos os lugares onde a beleza está;
Lamento ser tão pequena e tão breve. 
Mesmo todas as grandiosas belezas que meus olhos podem de ver, e diante delas se prostram em êxtase, são apenas vislumbres da beleza absoluta. Diante das porções de beleza diárias minha alma se assombra. Minha pequenez é massacrante. Sou pó diante de 'meros' vislumbres. Sou menor que um vislumbre. E sou também, ao mesmo tempo, um deles. 
Cada encontro com o belo é uma fresta aberta de onde se pode espiar o Sagrado, na eternidade.
Rubem Alves bem disse: "Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado."
Sim! É isso!
Minha alma anseia por toda beleza que nela couber. Anseia pelo eterno. Anseia pelo Sagrado.
Não! Não é isso!
Minha alma quer muito mais do que cabe nela. Quer transbordar: 
Beleza,
Eternidade,
Sacralidade.
Mas tenho pouco tempo. Tenho olhos e ouvidos menores do que meu desejo, eterno.
Lamento.
Exulto.
Há em mim um furacão de júbilo e lamento.
Quando a cortina do tempo for enrolada terei a eternidade. E, na eternidade não há vislumbres.
A beleza absoluta habita a eternidade. 
Meus olhos podem ver cada vez menos; minha alma é cada vez menor...
Mas, quanto menos tempo tenho e menor sou, mais me aproximo da fonte de toda beleza. 
Sem véu de tempo. Sem canseira nos olhos. Sem calos nos pés. Sem limites. Sem barreiras entre mim e ela...
Na eternidade, a Beleza e eu dançaremos juntas! 

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